O
primeiro grupo de células a se despolarizarem são as células
do nodo sinusal que são auto excitáveis. A onda de atividade
se propaga e temos a despolarização dos dois átrios.
A despolarização atrial produz um vetor dirigido predominantemente
para frente e para a esquerda, determinando a onda P no registro eletrocardiográfico.
Em seguida, a onda é transmitida ao nódulo atrioventricular,
ocorrendo logo após a despolarização do septo interventricular,
da esquerda para a direita (onda Q). A onda de despolarização
atinge, em seguida, as paredes do ventrículo (onda R) Em vista
da predominância da massa ventricular esquerda, o vetor resultante
volta-se para a esquerda, para baixo e para trás. Por último,
tem-se a despolarização da região alta posterior
do septo interventricular e das paredes ventriculares, parte que não
recebe ramificação da rede de Purkinje. O vetor resultante
gira para uma posição obliqua dirigida para trás,
para cima e para a direita (onda S).
A repolarização ventricular se
processa numa ordem totalmente distinta, progredindo do epicárdio
para o endocárdio. Isto se deve a serem mais curtos os potenciais
de ação das células próximas ao epicárdio,
resultando daí serem estas as primeiras a se respolarizarem (onda
T). A direção média predominante durante a repolarização
é do ápice para a base do coração, isto
é, aproximadamente oposta à direção da despolarização
ventricular (onda R).
A repolarização do átrio é encoberta pela
despolarização do ventrículo, não sendo
registrada no ECG. A figura ao lado ilustra a direção
dos vetores de despolarização e repolarização
no coração e o vetocardiograma de um homem normal.
Esta ilustração
nos permite ter uma noção temporal dos processos
que ocorrem durante a despolarização e repolarização
do coração.