Toxicocinética
No organismo humano, o chumbo não é metabolizado, e sim, complexado
por macromoléculas, sendo diretamente absorvido, distribuído
e excretado. Os compostos de chumbo inorgânico entram no organismo por
inalação (rota mais importante na exposição ocupacional)
ou ingestão (via predominante para a população em geral).
Somente os compostos orgânicos de chumbo são capazes de penetrar
através da pele íntegra.
A absorção do chumbo no trato gastrointestinal varia de 2% a
16% se ingerido com refeição, mas pode chegar a 60-80%, quando
administrado em jejum. Mulheres grávidas e crianças absorvem
45% a 50% do chumbo presente na dieta. Esta absorção ocorre
originalmente no duodeno por mecanismos ainda indefinidos, podendo, porém,
envolver transporte ativo e/ou difusão trans ou paracelular, tanto
do chumbo ionizado quanto dos complexos inorgânicos ou orgânicos
deste. A absorção pelo trato gastrointestinal depende de fatores
nutricionais tais como ingestão de cálcio (Ca), ferro (Fe),
fósforo (P) e proteínas. Sabe-se que um baixo teor de Ca ou
Fe na dieta aumenta a absorção do Pb. O mesmo é verdadeiro
para uma alimentação deficiente em P e proteínas.
Resumindo:
A
distribuição do chumbo pelo organismo depende de sua taxa de
transferência da corrente sangüínea para os diferentes órgãos
e tecidos. Entre crianças e adultos, existem inúmeras diferenças
relacionadas à idade. Uma vez absorvido, o chumbo se distribui entre
o sangue, os tecidos moles (rins, medula óssea, fígado e cérebro)
e os tecidos mineralizados (ossos e dentes).
Em adultos, os ossos contêm cerca de 90% a 95% do conteúdo corpóreo
total de chumbo, enquanto que 80% a 95% são encontrados nas crianças.
Embora a concentração de chumbo em sangue seja menor do que
2% do seu total no organismo, de 90% a 99,8% do metal estão ligados
à membrana e a frações de proteínas (principalmente
à hemoglobina, e outras proteínas de baixo peso molecular) das
células vermelhas.
O
chumbo é excretado por várias rotas, porém só
a excreção renal e a gastrointestinal são de importância
prática. A quantidade excretada, independente da rota, é afetada
pela idade, características da exposição e dependente
da espécie.
A comparação dos dados sobre a cinética do chumbo em
adultos e crianças mostra que, aparentemente, estas últimas
parecem ter uma taxa total de excreção menor. Crianças
até dois anos de idade retêm 34% da quantidade total de chumbo
absorvido, enquanto que esta retenção é de apenas 1%
nos adultos.
A excreção gastrointestinal acontece por secreção
de várias glândulas, entre elas a pancreática, e por excreção
biliar, possivelmente na forma de um complexo chumbo-glutationa. Uma fração
desconhecida, porém provavelmente importante, de chumbo excretada desta
forma é reabsorvida. O chumbo da dieta ou, até mesmo, aquele
engolido nas partículas de ar e não absorvido pelo trato gastrointestinal
é eliminado nas fezes, que contêm elevado teor do metal, em torno
de 90% do total excretado.