Lesões pré-neoplásicas

 LESÕES PRÉ-NEOPLÁSICAS E NEOPLÁSICAS

Aproximadamente 30.000 novos casos de câncer oral (principalmente de células escamosas) são relatados a cada ano nos EUA e são responsáveis por cerca de 5% de cânceres nos homens e 2% nas mulheres. Mais do que qualquer outro fator, os estágios destes cânceres determinam o. Enquanto os cânceres orais < 1cm de diâmetro são facilmente curáveis, a maioria das lesões não é diagnosticada antes dos Estágios III e IV e ³ 50% em metástases nos linfonodos. Portanto, as taxas de sobrevida de 5 anos permanecem entre 30 e 40%. Esta situação infeliz parece ser o resultado do conhecimento inadequado dos proce-dimentos de triagem apropriados e das concepções errôneas fortemente arraigadas.

Grupos de risco – Embora a triagem seja simples o suficiente para incluir todos os pacientes, uma atenção especial deve ser dedicada a pacientes com fatores de risco claramente definidos; isto é, indivíduos ³ 40 anos de idade que fumam cigarros e os que ingerem bebidas alcoólicas regularmente. Outros fato-res de risco menos comuns são cachimbo e charuto. A mastigação de fumo parece estar relacionada ao carcinoma verrucoso (uma variante altamente dife-renciada do carcinoma de célula escamosa). A triagem mostrou aumentar as taxas de diagnóstico do câncer precoce nessas populações de alto risco para 1/ 200 a 1/250. Local de risco – Cerca de 90% dos cânceres orais são detectados em poucos locais de alto risco: o soalho da boca, a face ventrolateral da língua e o complexo do palato mole (úvula, palato mole propriamente, pilar anterior, face lingual do trígono retromolar). O carcinoma bucal e vestibular labial deve ser considerado nas pessoas que usam tabaco para mascar. Concepções errôneas – A maioria dos médicos e dentistas foi ensinada de que a leucoplasia (lesões brancas) é a lesão pré-cancerosa mais comum da boca e que os cânceres precoces são lesões brancas. De fato, < 5% dessas lesões evoluem para lesões cancerosas. Precocemente, os cânceres orais assintomáticos aparecem mais freqüentemente como uma lesão avermelhada (eritroplasia). Essas lesões não são pré-cancerosas; elas são carcinomas pre-coces. Essas áreas parecem uma inflamação, provavelmente como resultado de infiltrado de células mononucleares na submucosa que aparece abaixo das célu-las malignas escamosas em resposta ao neoplasma em desenvolvimento. Quando secas, estas lesões vermelhas parecem mais granulares e discreta-mente erodidas. Portanto, elas devem ser secadas gentilmente com um pedaço de gaze e examinadas com cuidado com boa luz. Dois tipos distintos de lesões eritoplásicas foram identificados: 1. uma lesão granular, vermelha (parecendo veludo usado) pontilhada com ilhas de ceratina (branca) ou mucosa normal no interior ou perifericamente ao componente vermelho; e 2. lesão vermelha, não granular e lisa com mínima ceratina associada, semelhante à inflamação não específica. Ambos os tipos podem ter bordas irregulares e maldefinidas; geral-mente, a palpação não traz ajuda ao diagnóstico, pois poucas lesões são enduradas ou elevadas. Todas as lesões eritroplásicas que não respondem ao tratamento e persistem > 14 dias devem ser consideradas carcinoma in situ ou carcinoma invasivo e requerem biópsia. Infelizmente, o carcinoma de células escamosas geralmente não é diagnosticado nos estágios mais precoces e apa-rece mais tarde como uma úlcera profunda com margens endurecidas, lisas e elevadas, fixada aos tecidos profundos. Pode-se usar a coloração de azul de toluidina como diagnóstico adjuvante às impressões clínicas. Entretanto, a biópsia é necessária para diagnosticar o carcinoma.

Outras malignidades da cavidade oral são o carcinoma epidermóide do lábio, bochecha e língua; linfoepitelioma; melanoma; adenocarcinomas de glân-dulas salivares maiores e menores; e leucemias mielocítica e linfocítica. As lesões benignas que podem ser confundidas com o câncer oral abran-gem "fibroma de irritação", papiloma, granuloma (incluindo o tumor da gravidez), a glossite da avitaminose, língua geográfica, glossite rombóide mediana, he-mangioma e linfangioma, hipertrofia fibrosa da gengiva, melanose, mioblastoma, cistos de retenção (incluindo rânula), xantomatose, torus, cálculo do ducto submandibular, hipertrofia das papilas foliáceas, cistos radiculodentais e ameloblastoma. A sífilis, líquen plano erosivo, úlcera benigna, TB, leucoplasia e os abscessos dentários também devem ser considerados. A citologia esfoliativa é útil na triagem, mas a biópsia é essencial para estabelecer o diagnóstico. Carcinomas múltiplos – Pacientes com um câncer escamoso oral têm grande tendência (até 33%) de desenvolver uma segunda neoplasia escamosa primária na boca, faringe, laringe, esôfago ou pulmão. Portanto, esses pacientes identificados como tendo um câncer oral devem ser triados para a presença de câncer em todos esses locais e reexaminados a intervalos anuais (p. ex., exame de boca e garganta, laringoscopia indireta, raio X de tórax).

Tratamento

Todos os irritantes reconhecíveis (p. ex., restaurações danificadas e apare-lhos protéticos) devem ser corrigidos ou removidos. O tabaco sob qualquer forma deve ser eliminado e o ressecamento da mucosa através de bebidas alco-ólicas e colutórios com veículos alcoólicos deve ser evitado para prevenir o desenvolvimento de câncer primário secundário.

O tratamento de neoplasias orais geralmente consiste na excisão local am-pla para as lesões pequenas e excisão em bloco de lesões maiores associada à dissecção cervical radical se os linfonodos estiverem envolvidos. A radioterapia isoladamente pode ser adequada para algumas lesões pequenas ou grandes ou pode ser combinada com a cirurgia. A quimioterapia pode ser usada como paliativo ou como adjunto à cirurgia e radioterapia.

 

 

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