SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE E INTEGRAÇÃO

(por Marco Alexandre Rocha, Rogério Tognotti, Ruy Otávio Barbosa, Giulherme Antonio R. Lobo, Jairo Jr. )

Disciplina de informática e Saúde, DIS-EPM, maio 1999

RESUMO:

Nesta apresentação temos como objetivo ressaltar a utilização informática na área da saúde, as novas tecnologias e suas aplicações dentro e fora da Escola.
 
 


 
 

Podem incorporar versões digitais de imagens médicas, sons, sinais fisiológicos, etc. Várias instituições estão fazendo experimentos com a disponibilização dessas informações através da Internet, usando a interface bem conhecida da World Wide Web (WWW), de fácil aprendizado e utilização. Bons exemplos de projetos nesta área são o Artemis, da NLM, e o W3-EMRS e Infomed, dos EUA. Se acoplarmos as tecnologias da Inteligência Artificial (campo da Informática que desenvolve sistemas capazes de raciocinar de forma semelhante ao ser humano) aos bancos de dados clínicos, os médicos e enfermeiros podem utilizá-lo para tomar decisões baseadas na situação particular de um paciente, por exemplo, para selecionar o melhor antibiótico. Um sistema desse tipo, denominado HELP, já está em operação há vários anos no Hospital dos Santos dos Últimos Dias, em Salt Lake City, e é comercializado por uma empresa americana. Quando o médico solicita ao computador para recuperar o prontuário eletrônico de um paciente, o sistema efetua automaticamente uma série de tarefas, podendo inclusive imprimir lembretes para o médico (ex., `está na hora de pedir uma mamografia anual para esta paciente"), auxiliar no diagnóstico (ex. "os sintomas e sinais são indicativos de tuberculose pulmonar, com uma probabilidade de 87 %") ou recomendar uma conduta (ex., "o melhor antibiótico para tratar essa bacteremia são a penicilina G potássica intravenosa"). Comprovadamente, este sistema já economizou milhões de dólares em custos de medicamentos, ao mesmo tempo diminuindo a mortalidade e a duração da estadia hospitalar, tudo isso apenas ao colocar os computadores à disposição dos médicos e melhorar o acesso à informação. Os médicos gostam do sistema, porque ele dá uma maior segurança no diagnóstico e na conduta, e os torna mais eficientes e atentos aos problemas passados e atuais dos seus pacientes.
 
 
 
 

Os cartões inteligentes ( "smart cards") são do tamanho de um cartão de crédito, mas podem armazenar até 1.000 páginas de informação. Muitos modelos já estão disponíveis no mercado, e podem ser de dois tipos: cartões que contém um "chip" (circuito integrado miniaturizado, embutido no cartão) e de laser (que usam uma tecnologia semelhante ao do CD-ROM). Os cartões de menor capacidade contém um conjunto mínimo de dados sobre o paciente (MDS - Minimal Data Set), tais como dados pessoais e civis, diagnósticos principais, alergias, tipo sangüíneo, dados do plano de saúde, etc. Os cartões de maior capacidade podem conter um prontuário completo, inclusive todas as imagens médicas digitalizadas, resultados de exames, etc. O cartão pode ser lido e também gravado usando-se um periférico especial ligado ao computador do médico ou do hospital. Tem ainda a grande vantagem de centralizar todas as informações médicas sobre um paciente em um único lugar (você já pensou em quantos hospitais e consultórios estão espalhados os seus dados médicos ? Imagine só a economia e eficiência conseguidas com um prontuário único).
 
 
 
 

Os ensaios clínicos são hoje a pedra sobre a qual se fundamenta a prática clínica baseada em evidências. No entanto, é extremamente demorado e trabalhoso coletar informações disponíveis nos prontuários clínicos em papel, quando necessitamos realizar um levantamento. Com todos os registros médicos no computador, esta tarefa se torna muito mais fácil, podendo-se obter listagens de resultados em poucos minutos, bem como analisá-las estatisticamente com softwares adequados para uso pelo meio médico. O controle de qualidade (auditoria) da assistência médica também é muito facilitada pela existência do registro eletrônico.Uma outra aplicação interessante da Informática nessa área ocorre nos estudos clínicos multicêntricos. A Internet já está sendo utilizada para efetuar a comunicação entre os centros, a coleta decentralizada de dados através de formulários "inteligentes" disponíveis na Internet, bem como a distribuição dos resultados das análises aos colaboradores do estudo.No futuro, será comum a cooperação internacional entre grupos de pesquisa médica situados em diferentes lugares.


O uso de computadores para adquirir, armazenar e processar radiografias já está começando a se tornar comum em muitos lugares. Esses sistemas, denominados de PACS (Picture Archiving and Communication Systems, ou Sistemas de Arquivamento e Comunicação de Imagens) estão sendo implementados em hospitais em todo o mundo, à uma velocidade astronômica. Uma tendência recente, muito interessante consiste na integração com o registro médico através de visualizadores da WWW ("browsers", como o Netscape ou Internet Explorer) às estações de trabalho com imagens usadas pelos médicos no hospital, de modo a permitir a exibição das imagens captadas no serviço de Radiodiagnóstico. Através de uma rede dedicada (própria do hospital, interligada por cabos óticos de alta velocidade), é possível montar uma intranet de alto desempenho. No futuro, com o aumento da velocidade de acesso à Internet, será possível visualizar essas imagens em qualquer lugar do mundo. Quando isso acontecer, um radiologista no Canadá, por exemplo, poderá ver e dar o diagnóstico para uma chapa ou tomografia tomada no pronto-socorro de uma cidade na Flórida. A telemedicina poderá ser utilizada até nos confins mais distantes do meio rural, o que está causando uma verdadeira revolução na especialidade. E um dos principais responsáveis por isso é a adoção de padrões mundiais de comunicação digital para imagens médicas, como o DICOM.
 
 
 
 

Será que um dia a realidade virtual poderá ser usada em um ambiente médico ? Imagine estudantes de medicina usando um capacete com visores tridimensionais para examinar uma versão virtual do corpo humano. Ou que você seja capaz de andar de sala em sala de um congresso virtual, sem precisar sair de sua cidade ? Tudo isso já é tecnicamente possível, se as conexões forem suficientemente rápidas. Imagine só você de pé num palco virtual, apresentando um trabalho para uma audiência mundial composta de milhares de colegas, sem sair do seu consultório ! Avanços tecnológicos futuros, como na área de holografia tridimensional dispensarão até mesmo o uso de capacetes e visores especializados. Isso não é ficção científica, é o próximo passo no campo da realidade virtual, que avança a passos céleres para se encontrar com a medicina. Há vários anos se realiza na costa oeste dos EUA um congresso chamado "Virtual Reality Meets Medicine" onde espantosas aplicações são relatadas rotineiramente.Uma das aplicações mais interessantes é o da cirurgia virtual, desenvolvido pela NASA, e que utiliza uma tecnologia chamada "telepresença". Um médico, usando o visualizador tridimensional, pode enxergar perfeitamente o campo cirúrgico localizado a milhares de quilômetros de distância. Usando manipuladores especiais (semelhantes aos de videoendoscopia), ele pode comandar motores e pinças eletromecânicas à distância, cortando, agarrando e suturando. O mesmo tipo de aplicação pode ser visto já em produtos comerciais para o treinamento de cirurgias videoendoscópicas.Outro campo da informática médica que parece ser muito futurista, mas que já está sendo desenvolvido em muitos países se denomina robótica médica, e consiste na aplicação dos robôs mecânicos em cirurgias. Na França, por exemplo, está sendo utilizado um robô programável para montagens industriais, que é 100 vezes mais preciso e seguro que a mão humana em tarefas delicadas de posicionamento. Ele usado para inserir uma sonda de biópsia ou congelamento de estruturas cerebrais profundas, através da neurocirurgia funcional estereotáxica. Existem também robôs para cirurgias de coluna vertebral e de próteses de quadril, nos EUA,, que demonstraram diversas vantagens no ato cirúrgico.
 
 
 
 

Através da Internet, começa a se esboçar a formação de uma nova estrutura de interação entre pessoas e máquinas, o ciberespaço médico. Uma "comunidade médica virtual" não é impossível, como o demonstram diversos projetos como o Hospital Virtual, as listas de discussão, o maior uso do correio eletrônico, a World Wide Web (WWW), etc. Atualmente, a conectividade existente em nível mundial permite que recursos de informação médica sejam compartilhados. Por exemplo, existe um banco mundial de doadores de medula óssea, para fins de transplante, que pode ser consultado através da WWW. O arquivo contém cerca de 2,3 milhões de doadores de vários países. Este é um exemplo de como a disseminação eletrônica de informações pode salvar a vida de muitos pacientes.
 
 
 
 

MEDLINE, a gigantesca base de dados bibliográficos elaborada e mantida pela Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA, que atualmente está disponível para consulta gratuitamente através da Internet, pelo sistema PubMed. Ela tem 9 milhões de referências bibliográficas, com resumos, desde 1970, e seu valor para o progresso do conhecimento médico, para o acesso à informação cientifica para fins educacionais e assistenciais é simplesmente assombroso, principalmente neste final de século, em que o volume de informação médica cresce exponencialmente. Para tornar a situação mais complexa, muitos sites da Internet se dedicam a publicar informações médicas, como o MedScape, o HealthGate e a HighWire Press, e, no Brasil, o grupo e*pub da UNICAMP.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

O desenvolvimento da Informática em Saúde brasileira passou por um grande ímpeto a partir de 1983, com a criação de novos grupos especificamente dedicados à esta área de pesquisa e ensino. No Rio Grande do Sul, a Dra. Mariza Klück Stumpf fundou o primeiro curso de informática voltado para alunos e pós-graduandos de medicina, em 1982. O Dr. Renato Sabbatini fundou o Núcleo de Informática Biomédica da UNICAMP, em Campinas, em 1983, e o Dr. Roberto Jaime Rodrigues foi pioneiro no estabelecimento de um laboratório de ensino no Hospital das Clínicas da USP, em colaboração com o programa de Pós-Graduação em Administração Hospitalar (PROAHSA) da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo (FGV). Em 1984 e 1988, respectivamente, foram iniciados os grupos de pesquisa e docência da Faculdade de Medicina da USP (Disciplina de Informática Médica, com os Profs. Gyorgyi Böhm, Eduardo Massad e Miguel Nicolelis) e da Escola Paulista de Medicina (Centro de Informática em Saúde, com os Profs. Daniel Sigulem, Meide Anção e outros). No Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, destacou-se também a Dra. Beatriz Leão, a partir de 1982, a qual posteriormente tornou-se docente da UFRGS e do CIS/EPM.

A informática no complexo hospitalar da USP teve início em 1975, com a PRODESP (Companhia de Processamento de Dados de São Paulo), que instalou computadores de grande porte e centenas de terminais em vários hospitais do sistema), e que por muitos anos foi o maior sistema da América Latina. A informatização desses hospitais prosseguiu através de sistemas próprios, atualmente sob a liderança do Dr. Lincoln de Assis Moura Jr., um engenheiro biomédico ligado ao InCor.

O divisor de águas da Informática em Saúde nacional ocorreu em 1986. O primeiro reconhecimento do grau de desenvolvimento nacional na área deu-se em um seminário realizado em Informática em Saúde em Brasília, por iniciativa do Ministério da Saúde. Os pesquisadores presentes resolveram então se organizar e fundaram em novembro de 1986 a Sociedade Brasileira de Informática em Saúde, durante o I Congresso Brasileiro de Informática em Saúde, presidido pelo Dr. Renato Sabbatini.
 
 
 
 

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