Resumo | Sobre a tuberculose | Tuberculose no CSVM

Tuberculose no Centro de Saúde Vila Mariana

Fábio Pierucci de FREITAS, Fernando Oetterer ARRUDA, Marcelo da Rocha DUTRA, Márcio Fuscaldo CALDERON, Marco Antônio Nunes da SILVA, Ricardo Limongi FERNANDES


Turma 2 - 5o. ano médico - 2000

Desenvolvido sob supervisão Prfa.Mônica Parente Ramos, Departamento de Informática em Saúde da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina.

 

Universidade Federal de São Paulo

São Paulo, 2000.





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Resumo
 

O presente trabalho tem como objetivo a análise de uma amostra compreendendo 58 pacientes atendidos no Centro de Saúde Vila Mariana com diagnóstico de tuberculose em quaisquer de suas apresentações. Tais pacientes foram analisados até o momento de suas altas, que ocorreram no período de novembro de 1998 a novembro de 1999.
O Centro de Saúde Vila Mariana está localizado na Av. Domingos de Moraes, 1947 - Vila Mariana. Este serviço funciona seguindo os padrões de regionalização da saúde de São Paulo, e possui atendimento primário de pacientes nas mais diversas especialidades. Pacientes com a hipótese diagnóstica de tuberculose de qualquer região de São Paulo e do país também são atendidos, tornando a amostra do estudo mais representativa.


Sobre a tuberculose

Números da tuberculose | Tratamento | Tuberculose e HIV





Números de tuberculose
 

População mundial: 5,5 bilhões de pessoas.
42% da TB está no sudoeste asiático.
Infectados: 1/3 da população (1 bilhão e 700 milhões de pessoas).
Doentes: 9 milhões de pessoas sendo 4 milhões bacilíferos/ano, sendo 90% dos doentes nos países em desenvolvimento.
Óbitos: 3 milhões de pessoas/ano.
22 países concentram 80% dos casos previstos para o planeta.

O que fez aumentar a TB nos EUA?
Nos EUA de 1986 a 1991 ocorreram 39000 casos a mais de TB que o esperado. Estas mudanças são atribuídas ao aumento dos níveis de pobreza, imigração de pessoas de regiões de alta prevalência de TB,  transmissão em doentes de alto risco (hospitais, prisões, centros de tratamento para toxicodependência, albergues) e epidemia HIV/AIDS.

Brasil

10° país do mundo em tuberculose e 1° em números de casos/ano das Américas (que detém 7% da população mundial)
Rio de Janeiro e São Paulo detém 50% dos casos do Brasil, seguidos por NE, S, CO, N.
Os maiores responsáveis pela falta de controle da tuberculose no Brasil são a pobreza, a falta de investimentos no setor de saúde e a AIDS.
Se o descontrole da TB persistir nos países de menor incidência, certamente chegaremos a 10 milhões de casos/ano no mundo em 2015 e a tuberculose certamente vai se disseminar para os locais onde há muito pouca tuberculose.
A meta do Plano Nacional de Controle da Tuberculose no Brasil é diagnosticar pelo menos 92% dos casos estimados e curar 85% até o ano 2001. O alto índice de abandono faz com que a cura só se efetive em 65% dos casos.
Com isso, até 2007, haverá uma redução de pelo menos 50% na incidência de TB e mais de 65% na mortalidade por TB.
Coeficientes: Estimativa de casos de 129.000/ano, mas notificados 93.309 casos em 1997, sendo + 6000 recidivas/ano e 6000 óbitos/ano por tuberculose (18000 casos/ano e 1500 óbitos/ano só no estado de São Paulo).
Incidência: 55/100.000, no entanto em alguns municípios brasileiros chega a 210/100.000 (Cedro-PE) ou 100/100.000 (Manaus) e 160/100.000 (Rio de Janeiro).
Bacilíferos: 28/100000.
Mortalidade: 3,8/100000 ( no RJ chega a 10/100000, seria pela AIDS?. 10% dos tuberculosos do RJ têm HIV+ ). O idoso morre mais de TB.
(No Brasil morrem 15 pessoas/dia de TB ).
Quando da notificação da AIDS a TB é a infecção mais notificada depois da candidíase (37% ), TB (25% ), P. carinii (25%).
Cura: 65-75%. Se aumentarmos a taxa de cura para 80%, ao longo de 20 anos teremos uma redução de 25% da TB. No Brasil, só 40% dos Centros de Saúde fazem controle de TB.
                abandono- 16%. Em muitos estados o abandono é superior a 30%!
                óbitos- 6%
                falência- 1,5%
ESTRATÉGIA DEPENDE DE : aceitação pública, disponibilidade de diagnóstico microscópico, fornecimento regular de drogas, sistema de informações, tratamento supervisionado ( para  grupos específicos? ).

COBERTURA BCG ESTÁ ADEQUADA

Entre os contactantes:
Estudos encontram até 1,3% de TB ativa entre os adultos e 10% entre crianças não vacinadas com BCG.

Tratamento
 

OBJETIVOS:
Curar o paciente, prevenir a disseminação de outras doenças, prevenir o óbito associado à TB ou suas complicações tardias, prevenir a recaída da doença.

CUSTO: 
TB E-1: R$ 80,00 medicamentos/paciente
TB E-1R: R$ 130,00 medicamentos/paciente
TB E-3: R$ 600,00 medicamentos/paciente
TBMR: R$ 4000,00 medicamentos/paciente
Custo dos exames: consulta ( SUS R$ 2,50 ). Radiografis torácica ( R$ 8,00 ), Baciloscopia ( R$ 3,00 ) e PPD ( R$ 3,00 ).
Obs: A eficácia de E-1 é de 98% e a eficácia dos esquemas diminui a medida que se caminha para o tratamento de multirresistentes ( 60 a 70% ).

O por quê do abandono:
A) Problemas relacionados a administração das drogas: uso irregular, prescrição errada, decisão espontânea de descontinuar o tratamento, etc.
B) Relacionadas ao serviço de saúde: garantia de insumos para o diagnóstico e tratamento, equipar e treinar com pessoal capacitado os serviços de saúde.
C) Relacionadas ao atendimento do paciente: treinamento das equipes de saúde para que o paciente entenda o processo doença-tratamento desde o diagnóstico, evolução, até a alta.
D) Caracterização dos grupos de risco: baixo nível de escolaridade, desempregados e alccolistas, indivíduos HIV+, usuário de drogas, doentes psiquiátricos, doentes indigentes e sem moradia fixa e casos de retratamento e faltosos costumeiros.

Tratamento supervisionado (preferencialmente em):
TB com baciloscopia positiva, alcoólatras, usuário de drogas, mendigos ou sem residência fixa, comunidades fechadas como asilos, casas de detenção, casa de repouso e uso dos esquemas IR ou III e os portadores de formas multirresistentes de tuberculose.

DIA NACIONAL DA TUBERCULOSE - 17/11
DIA MUNDIAL DA TUBERCULOSE -  24/03


 

Tuberculose e HIV
 

A prevalência do HIV no Brasil em áreas urbanas é alta, de 34/100.000 habitantes na região sul do país, chegando a 100 ou 120/100000 no Rio de Janeiro. São 30,6 milhões de HIV no mundo!
Estima-se que haja no Brasil 150000 pessoas co-infectadas, o que poderá resultar, a cada ano, num acréscimo de 10 a 15000 casos de tuberculose num futuro muito próximo, já que a taxa de adoecimento é de 10% ao ano para os co-infectados. Com relação à mortalidade, vários estudos têm mostrado índices de mortalidade que variam de 9 a 44% nos pacientes com TB e HIV, porém em muitos trabalhos não se especificou se a causa da morte foi a TB ou outra complicação relacionada a AIDS.
paciente com AIDS que entra em contato com TB tem risco de adoecimento de 37% nos primeiros 5 meses após o contato e 8% a cada ano ao longo da vida.


 


Tuberculose no Centro de Saúde Vila Mariana

Amostra e métodos | Gráficos e resultados | Links








 
 

AMOSTRA

Todos os pacientes com diagnóstico de tuberculose atendidos no Centro de Saúde Vila Mariana, que tiveram alta entre novembro de 1998 e novembro de 1999. Foram estudados 58 pacientes com idade variando de 9 a 81 anos, sendo 22 pacientes do sexo feminino e 36 pacientes do sexo masculino.
 
 

MÉTODO E RESULTADOS

O presente trabalho é um estudo retrospectivo dos pacientes diagnosticados com tuberculose no Centro de Saúde Vila Mariana que receberam alta entre novembro de 1998 e novembro de 1999. Para o diagnóstico da doença, foram utilizados os seguintes exames: baciloscopia do escarro, RX de tórax e cultura. Como parâmetros de evolução e cura se valeu-se da negativação do exame baciloscópico e a evolução radiológica.  Foram analisados os seguintes parâmetros: a forma clínica da tuberculose, exames utilizados para o diagnóstico da tuberculose, evolução radiológica dos pacientes, prevalência da co-infecção pelo HIV, tipo de tratamento e porcentagem de pacientes com tratamento supervisionado. Os resultados seguem com os gráficos e tabelas abaixo:
 
 

Gráficos e resultados
 
 
 

Gráfico 1- Forma clínica da tuberculose, em porcentagem de casos


 

Gráfico 2 - Exames utilizados para diagnóstico da tuberculose


 
 

Gráfico 3 - Evolução radiológica


ALT = Alterado
NL = Normal
NR = Não realizado
RXI = RX inicial
RXF = RX final
 

Gráfico 4 - Prevalência de HIV em pacientes com tuberculose


NR = Não realizado
 

Gráfico 5 - Tipo de tratamento


TI = Esquema 1 (RMP+INH+PZA)
RR = Recidiva
RA = Abandono
 

Gráfico 6 - Porcentagem de pacientes com esquema supervisionado


 

Gráfico 7 - Motivo da alta


 
 

Links
 

1- Secretaria da Saúde
2- Ministério da Saúde
3- CDC
4- Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia
5- Organização Mundial da Saúde


 
 
 
 
 


Resumo | Sobre a tuberculose | Tuberculose no CSVM

Última atualização: 13 de junho de 2000

Editores HTML: Fábio Pierucci de FREITAS, Fernando Oetterer ARRUDA, Marcelo da Rocha DUTRA,
Márcio Fuscaldo CALDERON, Marco Antônio Nunes da SILVA, Ricardo Limongi FERNANDES