Impedimentos ao desenvolvimento de sistemas clínicos

Os sistemas clínicos (entenda quais sistemas são aqui) apresentaram significativo atraso em relação aos sistemas administrativos por três razões principais. Primeiro, os sistemas clínicos não se autocusteiam através do aumento da eficiência como os administrativos, ou seja, não trazem um retorno de investimento esperado ou mensurável. Aplicações clínicas, como sistemas de apoio à decisão para uma doença em particular, carecem ainda de suporte financeiro. Não está claro se tais sistemas têm efeito direto na redução de custo do serviço médico e/ou se eles irão se pagar. O custo de um software, tanto para o seu desenvolvimento como para sua manutenção, representa parcela crescente dos gastos em informática e algumas vezes excede o custo do hardware. O crescimento destes custos deve-se em grande parte à maior complexidade dos problemas a serem resolvidos e maior exigência dos usuários. Alguns programas como os sistemas de informação hospitalar representam vários milhões de linhas de código e envolvem várias centenas de programadores.

Por outro lado, vários estudos, a maioria realizada em hospitais universitários, relatam o tempo gasto com a documentação de dados em prontuários de papel. Um desses estudos, abrangendo residentes de medicina interna de um grande centro médico acadêmico, indicou que o tempo dedicado à coleta de informações dos prontuários é 10 vezes superior ao tempo gasto para examinar os pacientes. Outro sobre erro médico no Estado de Nova Iorque demonstrou que 10,3% dos erros que conduziram a eventos adversos em pacientes hospitalizados resultaram do desconhecimento de resultados de testes e de achados laboratoriais. Os sistemas clínicos (como os de apoio à decisão e os prontuários eletrônicos) seriam ferramentas úteis na melhoria da qualidade do serviço e na redução de gastos. Porém é clara a dificuldade em quantificar a repercussão desses sistemas quanto aos benefícios financeiros.

O segundo motivo para esse atraso, é a necessidade em se estabelecer padrões na elaboração de modelos clínicos. Não há, por exemplo, um consenso universal definindo quais os componentes necessários para um registro médico computadorizado. Talvez esta seja uma das tarefas mais difíceis, pois a Medicina caracteriza-se, em parte, pela subjetividade. Os diferentes dados médicos assumem importância variável de um caso para outro e devem ser avaliados quanto a sua qualidade e o seu valor. A individualidade dos modelos clínicos reflete também a peculiaridade dos serviços médicos para os quais foram desenvolvidos, com realidades e necessidades distintas, o que acaba prejudicando a unificação dos modelos.

Terceiro, a transferência de tecnologia tem sido dificultada pela falta de padronização. Sistemas clínicos excelentes têm sido desenvolvidos em computadores que requerem uma linguagem de programação especializada, o que inviabiliza a transferência para outros computadores devido ao alto custo.

Outro aspecto a ser considerado é a valorização dos sistemas administrativos em detrimento dos clínicos, o que só recentemente começou a mudar devido a crescente competitividade dos serviços de saúde. A qualidade do atendimento tornou-se prioridade aumentando a importância das ferramentas clínicas. Um levantamento realizado pelo Centro de Informações em Saúde em 1991 revelou, no Estado de São Paulo, que cerca de 37,5% dos hospitais usavam tecnologia da informação em alguma forma de aplicação, sendo que 16,7% em sistemas com finalidade só administrativa e 20,8% para finalidades administrativas e hospitalares (atendimento ao paciente e suporte médico). Esses números demonstram uma tendência expressiva no uso da tecnologia da informação e dos sistemas clínicos.





Contudo, há algumas ferramentas de informática bem utilizadas



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