Redefinindo os objetivos dos sistemas de informação em saúde

Os primeiros sistemas de informação nos serviços de saúde foram desenvolvidos nos meados da década de 1960, seguindo a tendência geral de evolução nos sistemas de computação, com a implementação de arquiteturas centralizadas integrando todas as funções. Esse modelo era de grande utilidade para os administradores, uma vez que permitia o controle simples de toda a instituição, e funcionava de acordo com a abordagem dos negócios em saúde vigente na época: a preocupação maior então era o controle da captação de recursos em troca dos serviços de saúde. Isso caracterizava os sistemas de informação primariamente como gerenciadores de contas a pagar e da cobrança dos pacientes. Os principais investimentos hospitalares em sistemas de informação tinham esse objetivo financeiro de capturar cada unidade de atividade para fazer a cobrança, o que não estava de acordo com a prática da medicina de qualidade.

Contudo, o crescimento exponencial das técnicas médicas de investigação e de tratamento forçou a reorganização dos provedores de serviços de saúde, visando o controle do custo e da qualidade de atendimento. Simultaneamente, houve uma transformação nos cuidados de saúde de uma antiga relação um-para-um (entre o paciente e o médico) para uma relação um-para-muitos, na qual os dados médicos podem ser produzidos não apenas no hospital, mas também na casa do paciente, no consultório ou no local de trabalho. Esse tipo de relacionamento interligado está se transformando em regra entre os profissionais da área de saúde e os provedores de recursos, exigindo um maior compartilhamento de informações.

Todas essas transformações refletiram-se, em meados da década de 1980, na demanda por sistemas de informação na área da saúde. Atualmente, entende-se que os sistemas de informação na área da saúde devam ser direcionados para o gerenciamento global das informações médicas e administrativas; nesse contexto, os principais objetivos desses sistemas ficam sendo a melhora da qualidade de atendimento e o controle de custos (Tabela 1). A necessidade de eficiência exige que a informação médica esteja presente no local de atendimento e no momento certo para atingir a melhor resposta clínica, utilizando a menor quantidade possível dos (escassos) recursos disponíveis. Assim, apenas o desenvolvimento de ferramentas de gerenciamento de informações clínicas (registro computadorizado de pacientes, sistemas de apoio à decisão, gerenciamento de imagens médicas, etc.) não é suficiente; o grande desafio é a interligação entre os locais de origem de dados com os locais de sua utilização. O atendimento de saúde não é exclusivo das instituições hospitalares, por isso os diversos sistemas devem ser abertos o suficiente para permitir a livre comunicação entre os diversos sujeitos que participam do atendimento à saúde, em oposição ao antigo modelo "hospitalocêntrico", cujos ambientes eram centralizados nos grandes computadores exclusivamente nessas instituições. O hospital é apenas um elo da cadeia de cuidados de saúde, e a busca da qualidade de atendimento deve se estender também para os outros elementos da rede. A integração entre esses diversos setores é necessária para um melhor controle da distribuição de recursos, bem como evitar a transferência dos gastos do atendimento hospitalar para o extra-hospitalar, eventualmente valorizando-se o atendimento sem a intervenção direta do médico (home-care e self-care, sempre quando não for prejudicial à saúde do paciente).

 

Tabela 1. Objetivos atuais dos sistemas de informação em saúde.

Objetivos Principais

Objetivos Contribuintes

Melhora da qualidade de atendimento

Melhora nas comunicações

Reduzir tempo de espera

Auxiliar o processo decisório

Controle de custos

Reduzir número de dias de hospitalização

Diminuir sobrecarga administrativa

Diminuir despesas com pessoal





Mesmo assim, os sistemas não são utilizados amplamente



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